Família denuncia perseguição após jovem morrer numa cela da PRM em Zóbuè

 


Zóbuè – Familiares do jovem Zacarias Caliate, que morreu numa cela da Polícia da República de Moçambique (PRM) em novembro deste ano, denunciam estar a ser constantemente perseguidos pelas autoridades policiais e dizem não ter recebido qualquer esclarecimento oficial sobre a morte do seu familiar.

Detenção terminou em morte

De acordo com fontes locais e relatos de pessoas próximas da família, tudo começou no dia 2 de novembro de 2025, quando agentes da PRM se deslocaram a uma residência em Zóbuè e detiveram Zacarias Caliate. A identidade da proprietária da casa não é revelada por motivos de segurança.

O caso, que inicialmente teria sido tratado como um problema passional, terminou de forma trágica. Fontes próximas afirmam que o jovem foi brutalmente agredido no local da detenção e, posteriormente, levado para o posto policial, onde teria sido torturado e estrangulado.

Polícia falou em suicídio

Após a morte de Zacarias, a PRM informou à família que o jovem teria se suicidado dentro da cela. No entanto, quando os familiares foram à morgue do hospital local, dizem ter encontrado sinais visíveis de agressões e estrangulamento no corpo, o que levantou fortes suspeitas.

A situação gerou revolta popular, levando moradores a transportarem o corpo até ao posto policial, exigindo explicações. A polícia terá respondido com uso da força, e durante os confrontos um agente da PRM acabou por morrer no hospital de Zóbuè.

Promessas não cumpridas

Segundo a família Caliate, após o caso ganhar grande repercussão, a polícia pediu que ambas as partes realizassem os funerais e prometeu dialogar posteriormente para encontrar uma solução. No entanto, semanas passaram sem qualquer contacto oficial.

Para agravar a situação, na semana passada um membro da família foi detido na cidade de Moatize, acusado de envolvimento na agitação popular registada na altura dos protestos.

Família pede ajuda

Neste momento, o familiar encontra-se detido na cadeia distrital, enquanto a família afirma sentir-se injustiçada e perseguida.

“Perdemos o nosso filho nas mãos da polícia, não tivemos apoio nenhum, não sabemos a verdade sobre a sua morte e agora temos outro familiar preso”, desabafa um parente.

A família Caliate apela à intervenção de advogados, organizações da sociedade civil e defensores dos direitos humanos, exigindo:

  • esclarecimento independente sobre a morte de Zacarias Caliate

  • responsabilização dos envolvidos, caso se confirmem abusos

  • libertação do familiar detido

(Fonte: Integrity)

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