Teerão – Pelo menos 29 pessoas morreram nos últimos dez dias durante protestos contra o aumento do custo de vida e a crise económica no Irão, segundo dados divulgados pela Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA).
De acordo com informações avançadas pela Reuters, e citadas pela RTP, mais de mil manifestantes terão sido detidos pelas autoridades iranianas desde o início das manifestações, que começaram a 28 de Dezembro, na capital, Teerão.
Origem dos protestos
Os protestos tiveram início quando comerciantes saíram às ruas para expressar o descontentamento face à forte desvalorização do rial iraniano em relação ao dólar norte-americano no mercado informal, onde a taxa atingiu cerca de 42 mil riais por dólar.
A moeda nacional já havia registado uma queda recorde no ano anterior, num contexto em que a inflação ultrapassou os 40%, agravando o custo de vida da população.
Crise económica e sanções internacionais
A deterioração da situação económica é atribuída, segundo analistas, a uma combinação de má gestão interna, corrupção e sanções internacionais impostas ao Irão devido ao seu programa nuclear. Estes factores contribuíram para o aumento do desemprego, da inflação e da perda do poder de compra.
Com o alastrar da insatisfação popular, os protestos estenderam-se rapidamente a várias cidades do país, envolvendo comerciantes, estudantes universitários e outros grupos sociais, tendo sido registadas manifestações em 27 das 31 províncias iranianas.
Mortes, feridos e detenções
A HRANA reporta que, entre as vítimas mortais, duas eram membros das forças de segurança e quatro tinham menos de 18 anos. Outros grupos de defesa dos direitos humanos apontam para um número ainda mais elevado de vítimas, chegando a 35 mortos, segundo a Euronews.
Além disso, pelo menos 64 manifestantes ficaram feridos e cerca de 1.200 pessoas foram detidas durante os confrontos.
As autoridades iranianas, no entanto, não divulgaram um balanço oficial sobre o número total de mortos, confirmando apenas a morte de dois agentes de segurança e ferimentos em mais de uma dezena.
Reacção das autoridades e tensão internacional
Nas mais recentes manifestações, realizadas esta terça-feira em Teerão, manifestantes entoaram slogans contra as autoridades clericais. Imagens divulgadas pela AFP mostram forças de segurança a utilizarem gás lacrimogéneo para dispersar a multidão no Grande Bazar da capital.
Segundo a BBC, ouviam-se cânticos como “Morte ao ditador”, em referência ao líder supremo, ayatollah Ali Khamenei.
O chefe da polícia iraniana, Ahmadreza Radan, afirmou, em declarações à comunicação social estatal, que as autoridades irão controlar os protestos. “Prometo que vamos lidar com o último desses desordeiros”, declarou.
Entretanto, a situação no Irão também gerou reacções internacionais. Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que Washington poderá intervir caso as forças de segurança iranianas continuem a matar manifestantes pacíficos.
Contexto político
A actual vaga de manifestações é considerada a mais grave desde os protestos de 2022–2023, desencadeados pela morte de Mahsa Amini, que se encontrava sob custódia policial após ter sido detida por alegada violação do código de vestuário feminino.
Fonte: RTP / Reuters
