Banco de Moçambique passa a exigir declaração obrigatória de bens no estrangeiro

 


O Banco de Moçambique tornou obrigatória a declaração de activos detidos no estrangeiro por todos os residentes no país, numa medida que visa reforçar a disciplina cambial, a transparência financeira e a segurança do sistema financeiro nacional.

A exigência aplica-se tanto a cidadãos moçambicanos como estrangeiros, pessoas singulares ou empresas, desde que tenham residência fiscal em Moçambique.

Que bens devem ser declarados?

Segundo o Banco Central, devem ser declarados todos os activos detidos fora do país, entre os quais:

  • imóveis no estrangeiro;

  • viaturas e outros bens móveis sujeitos a registo;

  • contas bancárias fora de Moçambique;

  • activos financeiros com valor igual ou superior a 250 mil dólares norte-americanos.

O objectivo é permitir um melhor controlo dos fluxos financeiros internacionais e conhecer a real exposição cambial dos residentes.

Prazo e forma de declaração

A declaração deve ser feita no prazo máximo de 30 dias após a aquisição, geração ou detenção do activo no exterior.

O procedimento inclui:

  • preenchimento de formulário próprio;

  • apresentação de documentos comprovativos;

  • submissão da informação ao Departamento de Licenciamento e Controlo Cambial do Banco de Moçambique, presencialmente, por via electrónica ou por correio.

O Banco Central disponibiliza também contactos electrónicos para pedidos de formulários e esclarecimento de dúvidas.

Actualização anual passa a ser obrigatória

Além da declaração inicial, os residentes deverão actualizar a informação todos os anos até 31 de Março, garantindo um acompanhamento contínuo dos activos no exterior.

A medida enquadra-se na Lei Cambial e nas normas de prevenção e combate ao branqueamento de capitais, financiamento do terrorismo e crimes financeiros.

Sanções para quem não cumprir

O Banco de Moçambique alerta que o incumprimento da obrigação pode resultar em sanções legais, conforme previsto na legislação em vigor.

Segundo a autoridade monetária, o cumprimento destas regras contribui para:

  • maior estabilidade do sistema financeiro;

  • fortalecimento do mercado cambial;

  • redução de riscos económicos e financeiros;

  • maior credibilidade da economia moçambicana.

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