Nampula – Um minerador local desmentiu publicamente a versão da Polícia da República de Moçambique (PRM) sobre a morte de sete pessoas no distrito de Mogovolas, afirmando que todas as vítimas eram garimpeiros artesanais e não membros dos Naparamas, do partido ANAMOLA, nem um agente policial, como alegaram as autoridades.
A contestação foi feita em entrevista à TV Sucesso, poucas horas após a PRM ter realizado uma conferência de imprensa na qual classificou o incidente como um confronto entre a polícia e alegados membros dos Naparamas e simpatizantes do ANAMOLA, negando que se tratasse de mineração ilegal.
“Eram todos garimpeiros”, diz testemunha
Segundo o minerador, todas as pessoas mortas dedicavam-se à extração artesanal de ouro na região. A fonte acusa a PRM de desinformar a opinião pública, ao associar as vítimas a movimentos político-militares e ao afirmar que um agente da polícia teria morrido durante o confronto.
O entrevistado revelou ainda que existia, por vezes, conivência entre alguns agentes da PRM e garimpeiros, alegadamente mediante o pagamento de cerca de 50 meticais para permitir a continuidade da atividade mineira.
Confronto após morte de dois garimpeiros
De acordo com o relato, a situação agravou-se depois de dois garimpeiros terem sido baleados pela polícia em um episódio anterior. O facto levou outros trabalhadores mineiros a dirigirem-se às autoridades para exigir esclarecimentos, momento em que, segundo o minerador, a polícia abriu fogo diretamente contra os garimpeiros, resultando nas mortes.
Caso gera polémica e pedidos de investigação
O episódio continua a gerar versões contraditórias e forte polémica em Nampula. Organizações da sociedade civil e residentes locais exigem uma investigação imparcial, bem como a responsabilização dos envolvidos, caso se confirmem excessos no uso da força policial.
Imagem: DR
