Professores distanciam-se de culpa por reprovações e criticam fim do ensino nocturno

 

Maputo, 4 de janeiro de 2026 – A Associação Nacional de Professores (ANAPRO) repudiou a atribuição de responsabilidades aos docentes pelo elevado número de reprovações na 9ª classe e manifestou preocupação com a decisão do Governo de substituir o ensino nocturno pelo Ensino Secundário à Distância (PESD) a partir deste ano.

Professores: causas estruturais e não pedagógicas

Em entrevista à STV, o presidente da ANAPRO, Carlos Muhate, afirmou que “não é correcto culpar o professor pelas reprovações”, apontando que os insucessos escolares refletem problemas estruturais e organizacionais do sistema educativo.

“O professor não criou turmas com mais de 100 alunos. Não é o professor que decidiu dar aulas à sombra. Não foi ele que garantiu que os alunos ficassem sem livros”, explicou Muhate, destacando que a responsabilidade pela qualidade da educação é exclusivamente do Governo.

O porta-voz do Ministério da Educação, Silvestre Dava, havia atribuído o insucesso à preparação dos alunos, alegando que “se os alunos não estavam preparados, é porque nós, os professores, não os preparamos adequadamente para os exames”.

Segundo a ANAPRO, esta interpretação ignora a realidade do dia a dia escolar e representa uma tentativa de transferir ao corpo docente responsabilidades que cabem ao Estado.

Fim do ensino nocturno preocupa professores

Outro ponto de contestação é a substituição do ensino nocturno pelo PESD, oficializada em despacho de 31 de dezembro de 2025. O Governo justifica a mudança com otimização de recursos e redução de gastos com horas extraordinárias.

Para Muhate, a decisão compromete a aprendizagem dos alunos. “O ensino à distância não garante formação efetiva. Os alunos permanecem em casa e só comparecem no dia do exame. O Ministério sabe disso”, alertou o dirigente da ANAPRO.

A associação enfatiza que a suspensão do ensino presencial no turno da noite poderá agravar ainda mais as dificuldades de aprendizagem, especialmente entre estudantes com menos acesso a recursos educativos.

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