Artesãos denunciam venda de praia e expulsão forçada em Mossuril

 

Cerca de 26 artesãos que há mais de duas décadas exerciam as suas actividades na Praia da Carrusca, também conhecida como Chocasmar, no distrito de Mossuril, norte de Moçambique, denunciam ter sido removidos de forma arbitrária e violenta do espaço onde garantiam a subsistência das suas famílias.

De acordo com os afectados, a expulsão ocorreu de forma repentina e sem qualquer notificação prévia, alegadamente após a venda da área a novos proprietários. Durante a ação, os artesãos afirmam que materiais de trabalho foram destruídos e queimados, deixando dezenas de famílias sem meios imediatos de sustento.

A área em causa localiza-se numa faixa costeira classificada por lei como domínio público, onde a ocupação privada está sujeita a restrições específicas. Os artesãos questionam, por isso, a legalidade da alegada venda do terreno e do processo que culminou na sua remoção, defendendo que sempre desenvolveram as suas actividades de forma pacífica e ligadas ao artesanato, à comercialização de produtos do mar e à prestação de serviços turísticos.

Informações recolhidas indicam que o terreno terá sido alienado a um cidadão de origem asiática, facto que levanta dúvidas adicionais sobre os critérios e procedimentos adotados na cedência de uma área com estatuto público.

A Praia da Carrusca é considerada uma das zonas costeiras mais atrativas do norte do país, conhecida pelas águas calmas e transparentes, areia branca e extensos coqueirais. Ao longo dos anos, o local consolidou-se como um espaço de convivência entre turistas, pescadores e artesãos, desempenhando um papel relevante na economia local e na valorização da cultura comunitária.

O caso está a gerar forte indignação entre os residentes e reacende o debate público sobre o acesso livre às praias, a proteção dos pequenos operadores locais e a necessidade de uma gestão responsável e sustentável das zonas costeiras em Moçambique.

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