Maputo | 5 de Janeiro de 2026 – A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) manifestou firme oposição à decisão do Governo de substituir o ensino nocturno presencial pelo ensino à distância, considerando a medida inadequada e potencialmente prejudicial à qualidade do sistema educativo nacional.
Em declarações à STV, o porta-voz da ANAPRO afirmou que o ensino à distância, nas condições actuais do país, não responde às necessidades reais dos estudantes, sobretudo daqueles que já enfrentam dificuldades de aprendizagem no modelo presencial.
“O ensino à distância, nas actuais condições, não resolve os problemas dos alunos e tende a aprofundar as dificuldades que já existem”, sublinhou o representante da associação.
Risco de agravamento das desigualdades
Segundo a ANAPRO, a substituição do ensino nocturno por um modelo remoto poderá agravar as desigualdades no acesso à educação, principalmente em contextos onde há limitações tecnológicas, falta de acompanhamento pedagógico e escassez de materiais didácticos.
A associação alerta que, na prática, muitos estudantes acabam por se matricular sem um processo efectivo de ensino-aprendizagem.
“Estamos perante uma situação em que o aluno se matricula, permanece em casa e apenas aguarda pelos exames”, explicou o porta-voz, acrescentando que o Ministério da Educação tem conhecimento desta realidade.
Críticas à desvalorização do ensino
A ANAPRO considera que o ensino à distância, quando implementado sem condições adequadas, transforma o processo educativo numa mera formalidade administrativa, comprometendo o valor dos certificados emitidos.
“A pessoa não vale aquilo que o certificado diz. O ensino à distância, nestes moldes, é apenas uma distribuição de certificados”, criticou.
Para a associação, estudantes que já enfrentam dificuldades no ensino presencial estarão ainda mais vulneráveis num modelo remoto, o que pode comprometer a sua preparação académica e futura inserção no mercado de trabalho.
Propostas alternativas
A ANAPRO defende que a melhoria da qualidade do ensino passa por investimentos estruturais, incluindo:
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Reforço do ensino presencial;
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Formação contínua de professores;
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Melhoria das infra-estruturas escolares;
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Garantia de livros e materiais didácticos adequados.
Segundo a associação, estas medidas seriam mais eficazes do que a substituição do ensino nocturno por um modelo à distância sem bases sólidas.
Fonte: JornalMZ
Imagem: DR
